23 de novembro de 2015 Tópicos: Pesquisas

Pensando o Direito lança pesquisa sobre avanços científicos no reconhecimento pessoal

“Avanços científicos no reconhecimento pessoal” – esse é o tema da nova pesquisa do Pensando o Direito que será divulgada nesta sexta-feira (27/11), às 9h30, no Ministério da Justiça. O estudo teve como objetivo propor uma  revisão de literatura científica sobre os fatores psicológicos envolvidos no reconhecimento pessoal, a fim de sistematizar as melhores práticas internacionais e compará-las às práticas do direito brasileiro.

Reconhecimento_Pessoal-CAPA-01

O levantamento apontou que o trabalho de policiais e juízes pode influenciar o depoimento das vítimas de crimes a ponto de fabricarem memórias falsas, acreditarem nelas e incriminarem inocentes. O estudo, coordenado pela psicóloga Lilian Stein, da PUC do Rio Grande do Sul, especialista no assunto e autora do livro Falsas Memórias, mostra ainda quais são as práticas de reconhecimento e depoimentos forenses adotadas atualmente no Brasil, tanto na fase de inquérito, quanto em juízo. “As provas técnicas são muito importantes e, muitas vezes, são ignoradas em favor da memória”, disse a psicóloga Lilian.

A fase inicial da pesquisa envolveu três estudos empíricos com instrumentos desenvolvidos em outros países. Foram realizadas também 87 entrevistas com integrantes do Sistema de Justiça (policiais, defensores públicos, promotores e magistrados), com a metodologia de grupos focais. Os dados mostraram que 90,3% deles dão muita importância ao testemunho durante a condução dos processos, enquanto 69,2% preferem privilegiar o reconhecimento dos criminosos. Esse desequilíbrio, afirma a pesquisadora, pode levar os oficiais da lei a se basearem nas falsas recordações que eles mesmos ajudaram a criar.

De acordo com Lilian Stein, uma consolidada literatura científica advinda do campo da Psicologia do Testemunho, que vem sendo produzida fora do Brasil há pelo menos 30 anos, serviu de subsídio para a análise dos resultados, tanto no que concerne aos fatores psicológicos envolvidos no reconhecimento, quanto na coleta de testemunho.

“Infelizmente essa ampla literatura científica ainda não está devidamente disseminada em nosso país, tanto em termos acadêmicos, quanto aplicados, seja na prática jurídica ou na nossa legislação”, contou.

As memórias falsas, segundo o estudo, existem porque, ao contrário do que prega o senso comum, o cérebro não funciona como uma câmera fotográfica que registra tudo da maneira exata como acontece.

“Na verdade, a memória é bastante maleável. Está o tempo todo se adaptando, se esquecendo de detalhes e fatos para colocar outras coisas no lugar. Isso faz parte do funcionamento normal da memória, acontece com todo mundo, o tempo todo”, explicou Lilian.

A pesquisa é uma iniciativa da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por meio do Projeto Pensando o Direito.

Serviço

Evento : Seminário Avanços Científicos no Reconhecimento Pessoal

Local:  Auditório Tancredo Neves, no Ministério da Justiça , em Brasília

Data: sexta-feira,  27 de novembro

Horário: 9h30

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Confira o vídeo da pesquisadora.

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8 comentários em “Conheça o projeto Pensando o Direito”

  1. Joseane Rocha disse:
    Quando haverá outra edição do evento?
    Os temas abordados na edição anterior foram muito estimulantes para o investimento em tecnologia da informação e comunicação.
    Joseane Rocha,
    http://www.educamundo.com.br
  2. duda disse:
    Adorei gostaria muito de participar
    De projeto
  3. Thelma Regina da Costa Nunes disse:
    Adorei,gostaria muito de participar desse participar desse projeto.
  4. Maria Sueli Rodrigues de Sousa disse:
    A página do ipea não abre desde ontem que tento. Vcs sabem informar o que está ocorrendo?
    1. Pensando o Direito disse:
      Olá, a página está com um problema técnico. Iremos prorrogar as inscrições.
  5. Antônio Menezes Júnior disse:
    Pesquisa super relevante, muito bem estruturada e indica conclusões interessantes, algumas já conhecidas no cotidiano de muitos que trabalham no ramo, e a algumas questões ainda pouco decifradas. Tive o privilégio de conhecer ao vivo, um conjunto de exposições dos próprios autores, meses atrás. Um extraordinário trabalho e produção de conhecimento. Atrevo-me apenas a sugerir que a pergunta inicial seja diferente da atual, para o futuro, e para reflexão. A pergunta inicial enseja uma relação direta entre alcances de um processo de regularização e os instrumentos jurídico-urbanísticos disponíveis, mas e as pessoas, e o conhecimento em torno deles ??? É sabido que os instrumentos em si não são autônomos, precisam ser conhecidos, discutidos, e sua implementação precisa ser ajustada a cada realidade. Portanto, melhor que a pergunta sugira o que é preciso para os instrumentos jurídico-urbanísticos tenham efetividade na realidade dos municípios.
  6. Roberto disse:
    Esse tipo de evento é realmente muito importante. alem de ser contra a corrupção, promove o desenvolvimento de idéias inovadoras.
    Aguardando pelo próximo evento

    Roberto
    http://metodologiaagil.com

  7. Humberto disse:
    Ótima atitude!!

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